“Eu não sou todo mundo e também não faço parte da maioria. Eu prefiro dias nublados e com pancadas de chuva. Prefiro o frio, músicas calmas e comida gordurosa. Não gosto de falar de mim. Odeio conhecer gente e me sinto muito mais seguro dentro do meu quarto. Não acho que devo me calar se tenho algo a dizer. Bem, todas essas qualidades ou defeitos, depende de quem vê, fazem de mim o que sou. Mas você já sabe de tudo isso. Na verdade, conversar com você é como sentar num divã. Em qual faculdade você se formou em psicologia mesmo? Eu não gosto de ser lido pelas pessoas. Mas pra você, eu sou completamente transparente. Ainda que eu falasse algum código secreto usado na segunda guerra mundial, você seria capaz de entender. Então me explica. Me diz como você é capaz disso. Qual é o teu segredo? Ou será que são os meus segredos que são tão fáceis de desvendar? Ou então não me conte nada. Apenas fique. Mesmo que eu faça tudo errado de propósito e mesmo que eu tente te afastar, fique. Porque a gente já saiu do zero a zero e você nem imagina como isso é difícil. A parte mais temerosa já ficou pra trás. Você já me leu, me desvendou, já viu a minha alma. Não vá embora. Ainda não. Eu estou guardando o melhor para o final. Eu me guardei a vida inteira pra alguém como você.”

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